Modalidade de crédito CDC registrou queda de -2,4% no mês de março, já como reflexo da crise gerada pela COVID-19

A ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) acaba de divulgar o levantamento dos números alcançados pelas instituições financeiras do setor automotivo no primeiro trimestre de 2020. Em um cenário anterior à crise decorrente da pandemia de COVID-19, o mercado seguia tendência de alta, refletida nos indicadores do setor para o período.

Nos três primeiros meses do ano, houve um crescimento de 13,3% no total acumulado de recursos liberados para financiamentos, totalizando R$ 38,5 bilhões, frente aos R$ 34 bilhões registrados em março de 2019. Esses dados indicavam uma importante constante de crescimento do mercado e, também, da economia brasileira, uma vez que os resultados positivos eram observados de forma contínua desde 2017.

O saldo total das carteiras para veículos também registrou um aumento significativo no primeiro trimestre, somando R$ 266,5 bilhões. O número representa um crescimento de 26% no acumulado dos últimos doze meses, puxado pela escalada progressiva da procura de crédito para a aquisição de veículos no Brasil.

Para o presidente da ANEF, Paulo Noman, o setor automotivo, que passa por transformações importantes nos últimos anos, terá desafios ainda maiores em consequência da pandemia. “Os números do primeiro trimestre, infelizmente, não representam a nova realidade pela qual o segmento e a economia como um todo está passando. Mesmo já vendo a diminuição do consumo devido à quarentena, março ainda contou com 20 dias de operações normais, que acompanharam a tendência de alta do mercado de veículos, registrada anteriormente à crise”, ressalta o executivo.

Isolados, os números de março já indicam o movimento de retração. Com mais de 50%, em média, de representatividade nas modalidades de pagamento, o CDC apresentou queda de 2,4%, fechando o mês com R$ 11,8 bilhões em recursos liberados. O leasing, que tem acumulado perdas na representatividade nos últimos anos, registrou recuo de 31,2% no trimestre, com R$ 305 milhões em recursos liberados.

Historicamente, o pagamento à vista tem mantido níveis estáveis, representando nos últimos quatro anos cerca de 45% das vendas de veículos e comerciais leves no Brasil. Já para caminhões e ônibus, a média tem girado na casa dos 10% e, no caso das motocicletas, em torno de 30%. Segundo a análise de Noman, a perspectiva é de que esses percentuais diminuam até mesmo no médio e longo prazo. “Seja pela perda de renda ou insegurança com relação à estabilidade econômica, o consumidor provavelmente não terá a intenção de descapitalizar os recursos para a compra de um automóvel ou veículo de uma só vez. Por isso, a procura por financiamentos e prazos mais longos deve aumentar”, completa.

Com planos máximos mantidos em 60 meses, o prazo médio das concessões de crédito, ou seja, o período desde a contratação até o vencimento da última prestação, sugere confirmação da previsão, tendo subido de 43,5 meses em março de 2019 para 45,1 no mesmo mês deste ano.

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