Anfavea calcula um gasto anual de R$ 2,3 bilhões só com esse custo burocrático-tributário, valor maior que o R$ 1,5 bilhão previsto com Pesquisa e Desenvolvimento no programa Rota 2030.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentou dados que revelam a urgência de se promover uma profunda simplificação tributária e burocrática no Brasil. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 1,2% do faturamento industrial é gasto com mão de obra, software, serviços e custos legais para cálculos e processamentos de tributos. Obviamente, neste porcentual não estão incluídos os custos dos impostos propriamente ditos. Anualmente, a indústria brasileira gasta cerca de R$ 37 bilhões apenas com essas operações burocráticas, o que representou em 2017 0,6% do PIB nacional e 5,5% do PIB industrial.

Focando apenas no setor automotivo, a Anfavea calcula um gasto anual de R$ 2,3 bilhões só com esse custo burocrático-tributário, valor maior que o R$ 1,5 bilhão previsto com Pesquisa e Desenvolvimento no programa Rota 2030. “Ou acabamos com esse sistema tributário ou ele acaba com o Brasil”, afirma Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea. Ele citou como exemplo o fluxo de importação do airbag, item obrigatório nos veículos nacionais, que demanda 15 passos burocráticos de requerimentos, o que pode demandar 50 dias de processamento.

Enquanto a média global para cálculos de impostos em empresas é de 231 homens/hora por ano, no Brasil a necessidade é de 2.507 homens/hora, de acordo com a Fiesp. Outro dado que ilustra esse manicômio burocrático é que, nesses 30 anos de Constituição Federal, cerca de 50 normas tributárias são editadas a cada dia útil no país.

Resultados do setor em maio

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, explica que, apesar dos indicadores econômicos pouco animadores do país, os bons números do setor automotivo no ano se devem a um longo processo de recuperação que se iniciou em 2017, após uma queda superior a 40% no biênio 2015-2016, auge da crise. “Nosso tombo foi bem maior que os 6,73% do PIB naqueles dois anos, por isso há muito o que recuperar para voltamos aos patamares de 2012. O mercado interno mantém bom ritmo de vendas, com alta de 12,5% no acumulado do ano. A produção só não acompanha esse patamar em função da expressiva queda das exportações para a Argentina. O destaque de maio foi o segmento de caminhões, com o melhor mês em vendas desde dezembro de 2014. “Felizmente, o mercado vem reagindo de forma constante, e deverá crescer ainda mais após a aprovação das reformas previdenciária e tributária”, acredita Moraes.

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