Palestra “Cidades inteligentes para quem?” reforça necessidade de resgatar valores arquitetônicos propostos por Da Vinci, no século 15

As ideias do mestre italiano Leonardo da Vinci continuam a inspirar e surpreender especialistas de diferentes áreas. No dia 28 de agosto, às 9h, a Casa Fiat de Cultura, o Istituto Europeo di Design (IED) e o Consulado da Itália em Belo Horizonte realizam a palestra “Cidades inteligentes para quem? Um outro Renascimento para as cidades do futuro”, que destaca um dos projetos do artista e inventor. Ainda no século 15, ele desenvolveu preceitos importantes para o que seria a chamada cidade do futuro. Com apresentação e mediação das arquitetas Carlotta Pinna e Graziela Nivoloni, o evento integra o ciclo de palestras Smart Cities, Smart Citizens, e terá transmissão online, com inscrição gratuita pela Sympla.

A pandemia do novo coronavírus exigiu que medidas de contenção fossem tomadas. O isolamento social e o lockdown, em cidades de todo o mundo, transformou a rotina de milhões de pessoas. Nunca ficou-se tanto tempo em casa! Nesse contexto, novos e complexos desafios surgem dia a dia, especialmente nos centros urbanos de países em desenvolvimento, como o Brasil. A palestra abordará a necessidade de repensar a lógica urbana contemporânea.

Segundo a arquiteta Carlotta Pina, escritórios, praças, centros culturais e outros espaços comuns jamais serão os mesmos, pois a maneira de viver e de pensar o mundo mudou radicalmente, em poucas semanas. “O isolamento social desses meses foi um luxo para as elites dos países mais pobres ou em desenvolvimento, locais onde a modernidade de aplicativos e tecnologia não foram suficientes para conter o risco da pandemia, que avançou fortemente entre os mais vulneráveis. A arquitetura e o urbanismo podem ter soluções mais eficientes para os desafios do momento”, afirma.

No bate-papo, serão propostas reflexões a partir da necessidade de resgatar as premissas exploradas por Leonardo da Vinci, no fim do século 15. Para ele, a cidade ideal seria vislumbrada como um organismo vivo, em que beleza arquitetônica e funcionalidade são combinadas com o atendimento às necessidades diárias da população. Afinal, como promover qualidade de vida, sob perspectiva inclusiva, em cidades com tantas desigualdades sociais?

Entre 1484 e 1485, Da Vinci sobreviveu a epidemias que dizimaram um terço da população de Milão, na Itália. A forma como a peste bubônica se espalhou pela população inspirou-o a criar conceitos renascentistas sobre a cidade do futuro, com dois pontos marcantes: as redes de canais (semelhantes aos de Veneza) e a divisão vertical da cidade, de forma a combinar mobilidade, sustentabilidade ambiental e áreas para o lazer. Mais de 500 anos depois, esses conceitos continuam atuais, e, nas palavras de Carlotta Pinna, com a fusão de “arquitetura, mecânica e hidráulica, entende-se que a beleza da cidade deveria ser sinônimo de funcionalidade, resultado da contribuição das ciências matemáticas e mecânicas”.

A palestra “Cidades inteligentes para quem? Um outro Renascimento para as cidades do futuro” é uma realização da Casa Fiat de Cultura, do Istituto Europeo di Design (IED) e do Consulado da Itália em Belo Horizonte, com apoio do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio é da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) e do Banco Safra. A palestra conta com apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além de apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Expresso Nepomuceno.

Smart Cities e Smart Citizens

O ciclo de palestras Smart Cities, Smart Citizens conta, ao todo, com três palestras, realizadas pela Casa Fiat de Cultura em parceria com o IED e o Consulado da Itália em Belo Horizonte. As apresentações terão, como tema central, as cidades criativas e sustentáveis, que fazem uso da tecnologia em seus processos de planejamento, com a participação dos cidadãos.

O conceito de Smart Cities refere-se às cidades que se desenvolvem a partir de infraestruturas mais eficientes, que respeitam o meio ambiente. Todo o planejamento urbano, da construção de praças e outros espaços públicos a moradias, deve ser pensado de forma inteligente. Nesse contexto, os Smart Citizens, ou cidadãos inteligentes, são os sujeitos que habitam essas cidades. Trata-se de pessoas com capacidade de se conectar, de se informar e ser agentes ativos nessas comunidades, vivenciando a própria cidadania.

A primeira palestra, “GreenUP: cidade comestível”, já está disponível no YouTube da Casa Fiat de Cultura.

Carlotta Pinna

Arquiteta, vive entre a Itália e São Paulo, para onde se mudou recentemente, para basear seu novo estúdio. Após se formar no Politecnico di Milano, obteve mestrado em arquitetura na Technische Universiteit Delft (Holanda), com dissertação sobre “O papel da arquitetura e do planejamento urbano na renovação urbana das margens das cidades portuárias”, e outro mestrado em sustentabilidade do processo de design, no Harbin Institute of Technology (República da China). Trabalhou em vários escritórios na Itália, na Holanda e em Portugal, desenvolvendo projetos tanto de larga escala quanto de interiores e corporativos. Colaborou com o IN / ARCH Istituto Nazionale di Architettura, ao trabalhar nos projetos de Processo de Regeneração Urbana de Planejamento Participativo e Processo de Design integrado.

Em 2014, fundou o Studio Habitat, com o objetivo de criar uma rede de designers com experiência na área de arquitetura, design de produto e planejamento territorial e paisagístico. De 2016 a 2019, trabalhou como consultora do Departamento de Planejamento Urbano do Gabinete do Prefeito do Município de Cagliari (Itália), desenvolvendo vários projetos: Plano de Ação para Energia Sustentável (SEAP), Cagliari Climathon, Cagliari European Green Capital, e atividades do “Programa Operacional Nacional da Cidade Metropolitana” PON METRO Cagliari, “Bando Periferie: Programa de intervenção extraordinária para a reconstrução urbana e a segurança da subúrbios de cidades metropolitanas”.

Graziela Nivoloni

Mestra em design pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP), Graziela Nivoloni trabalhou em escritórios de arquitetura e interiores, nos quais desenvolveu projetos nacionais e internacionais. Atualmente, é docente nos cursos de Design de Interiores e Design de Produto e Serviço no SENAC, na Belas Artes e no IED – Istituto Europeo di Design –, em São Paulo, onde também atua na coordenação do curso de extensão Home Design por Casa Vogue e na cocoordenação da pós-graduação em Design de Interiores Contemporâneo.

Consultora do Sebrae-GO na área de arquitetura e interiores, mentora do Future Lab Studies do Istituto Europeo di Design, interessa-se por processos de projetos contemporâneos colaborativos e empáticos, além de métodos de potencialização da criatividade para inovação em design e negócios. Sua dissertação de mestrado foi selecionada para compor o 32º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira na categoria “trabalhos escritos não publicados”, em 2018.

SERVIÇO

Ciclo de Palestras Smart Cities, Smart Citizens
Palestra online “Cidades inteligentes para quem? Um outro Renascimento para as cidades do futuro”
28 de agosto, das 9h às 10h – online
Evento gratuito, com inscrição pela Sympla: https://www.sympla.com.br/palestra–cidades-inteligentes-para-quem-um-outro-renascimento-para-as-cidades-do-futuro__932022

Foto: SarahLima

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