Apenas em Automóveis e Comerciais Leves, a queda foi de mais de 8%, no acumulado do trimestre, e de quase 22% na comparação entre os meses de março/2020 e março/2019.

Sofrendo impacto direto da pandemia do Coronavírus, e da consequente paralisação, quase que absoluta, das Concessionárias de Veículos, em todo o Brasil, em função dos decretos de quarentena, o Setor da Distribuição de Veículos sofreu forte retração nas vendas, em março, revertendo a curva de crescimento que vinha sendo registrado no primeiro bimestre deste ano.

De acordo com o levantamento da FENABRAVE, em março, foram licenciados 249.158 veículos, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, o que reflete retração de 15,02% na comparação com fevereiro, quando foram emplacadas 293.211 unidades. Já na comparação com os 305.510 veículos, licenciados em março do ano passado, a baixa foi de 18,45%.

No acumulado do primeiro trimestre de 2020, foram emplacadas 840.800 unidades, o que representa uma queda de 7,06% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram vendidos 904.698 veículos.

Os dados da FENABRAVE mostram que os licenciamentos de automóveis e comerciais leves apresentaram baixa de 19,11% em março, totalizando 155.810 unidades, contra 192.627 unidades registradas em fevereiro. Se comparado com março do ano passado, este resultado também aponta retração de 21,91% (199.516 unidades). No acumulado do primeiro trimestre de 2020 (532.549 unidades), as vendas desses segmentos registraram queda de 8,18%, comparadas às realizadas de janeiro a março do ano passado, quando foram vendidos 579.988 automóveis e comerciais leves.

Para o Presidente da FENABRAVE, Alarico Assumpção Júnior, o mês de março foi impactado, drasticamente, em função da pandemia do Coronavírus. “Nosso Setor, que representa 4,5% do PIB e gera, diretamente, mais de 315 mil empregos, por meio de 7,3 mil concessionárias, está, praticamente, paralisado, em função dos decretos de quarentena. Apenas algumas concessionárias estão com as oficinas abertas, para atender caminhões, ambulâncias e outros veículos essenciais para serviços de primeira necessidade, como os ligados à saúde e alimentação”, comentou.

Segundo Assumpção Júnior, ainda não é possível revisar as projeções do Setor para o ano de 2020, em função da falta de previsibilidade de retorno do comércio e dos reais impactos ao final do período de quarentena. “Sabemos que a prioridade é a saúde da população, mas, a continuar como está, em um mês de estagnação, cerca de 20% dos empregos do nosso Setor podem ser comprometidos, pois os Concessionários estão sem receita e, ao contrário, têm despesas fixas. Por enquanto, as Concessionárias estão segurando a situação como podem, antecipando férias, utilizando banco de horas, mas, chegará um momento em que isso não se sustentará”, revela o Presidente da FENABRAVE.

Para atenuar a situação dos empresários do Setor, a FENABRAVE tem solicitado diversos pleitos, tanto aos Governos Estaduais e Municipais, como junto ao Governo Federal, BNDES, entre outros órgãos.

Entre os pedidos, direcionados aos estados e municípios, estão alguns já atendidos, como a autorização de funcionamento das oficinas, em algumas cidades, para a realização de serviços essenciais e de garantia. “Se não fizermos a manutenção dos caminhões, motos, táxis ou veículos que trabalham por aplicativos, como esses poderão transportar itens de primeira necessidade à população? Como as ambulâncias e ônibus poderiam atender e transportar as pessoas? Como a população será reabastecida, de alimentos, se os tratores e máquinas agrícolas não funcionarem?”, explica Assumpção Júnior.

Outros pedidos têm sido encaminhados às autoridades e entidades ligadas ao Setor, como, por exemplo:

• Suspensão de pagamento do IPVA, aos estados;
• Linha de crédito especial, ao BNDES, para empresas do Setor;
• Desoneração de Folha de Pagamentos e encargos, ao Governo Federal, a quem está sendo solicitada e, ainda, a redução ou postergação de tributos, por 120 dias;
• Solicitação, às entidades que representam as Instituições Financeiras, para que não elevem as taxas de juros, tanto para empresas como para pessoas físicas;
• Solicitação de liberação de crédito, às Instituições Financeiras, para a comercialização de tratores e máquinas agrícolas sem o registro das cédulas em cartório;

Além de pedidos, a FENABRAVE fez manifestos de apoio às categorias que têm se mobilizado para atender à população, durante a pandemia, como é o caso dos Caminhoneiros, Taxistas e Motoristas de Aplicativos, Motoboys e Profissionais de Saúde, entre outros. A entidade também manifestou apoio ao Ministério da Saúde, pela condução ágil e assertiva em relação à contenção da pandemia no Brasil.

“Temos orgulho desses profissionais, que não poupam esforços e colocam suas vidas em risco para atender à população. Da mesma forma, acreditamos no nosso Governo e no nosso País. Não estamos pedindo benefícios. Estamos solicitando medidas de contenção para evitar o colapso do nosso e de outros setores importantes para a nossa economia”, enfatiza o Presidente da FENABRAVE, concluindo que “já passamos por uma forte crise recente e devemos tentar mitigar os impactos desta nova crise para que, quando a pandemia passar, as empresas continuem abertas, gerando empregos”.

Contra o Coronavírus

Segundo o Presidente da FENABRAVE, tão logo seja possível e autorizada a reabertura total dos estabelecimentos comerciais, conforme deliberação de cada estado e município, as Concessionárias estarão preparadas para voltar a operar, normalmente, e com todas as garantias de segurança sanitária e de saúde, preconizadas pela OMS. “A FENABRAVE criou um Guia Prático, contra a disseminação do Coronavírus, disponibilizado para as Concessionárias, para que garantam a saúde de seus colaboradores e clientes, com orientações sobre a devida assepsia dos ambientes, equipamentos, peças, acessórios e veículos, até os cuidados no trato pessoal, oferecendo álcool em gel em todas as áreas de permanência dos clientes, distância mínima de 1,5m entre as pessoas, entre outros cuidados, preconizados pelo Ministério da Saúde e OMS”, comenta Assumpção Júnior.

Segundo ele, entre os colaboradores das Redes, casos de grupos de risco, como pessoas com mais de 60 anos de idade ou com acometimentos de doenças pré-existentes, como hipertensão arterial, cardiopatias, lúpus, em tratamento contra o câncer, entre outros, continuariam atuando, remotamente, por tele trabalho, de seus domicílios, até que a pandemia estivesse totalmente controlada. “Não queremos colocar a vida de ninguém em risco, mas precisamos de uma certa previsibilidade sobre quando voltaremos a operar, assim como necessitamos de medidas que permitam, às empresas e pessoas, postergar despesas, às quais, não terão condições de pagar nesse momento”, finalizou o Presidente da FENABRAVE.

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