“O etanol e a frota flex são fatores estratégicos para a FCA e o Brasil”, afirmou João Irineu Medeiros, Diretor de Assuntos Regulatórios e Compliance da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) para a América Latina, que participou da 19ª Conferência Internacional Datagro sobre açúcar e etanol, que aconteceu em São Paulo nesta segunda e terça-feira.

João Irineu participou hoje do painel “Novas Tecnologias Automotivas. Durante a sua apresentação, ele observou que, quando considerado o conceito well-to-wheel (no caso, do campo à roda), o uso do etanol é altamente eficiente do ponto de vista de emissões. Isto porque a cana-de-açúcar em seu ciclo de desenvolvimento vegetal absorve de 70% a 80% do CO2 liberado na produção e queima do etanol combustível.

As perspectivas para a ampliação do uso do etanol são promissoras, devido ao esforço conjunto dos produtores do combustível e de veículos. João Irineu destacou que a cadeia da agro energia está focada em produzir combustíveis de modo mais eficiente e com oferta estável e previsível. Ao mesmo tempo, a FCA está empenhada em aumentar a eficiência energética da combustão do etanol, desenvolvendo um motor turbo que empregará o combustível.

“O gap energético entre o etanol e a gasolina gira em torno de 30%, mas estamos trabalhando para reduzir esta lacuna, empregando novos conceitos e novas tecnologias, algumas com patente própria”, disse. “Estamos aprimorando calibração, partida a frio, razão ar/combustível, injeção direta, turboalimentação e melhoria termodinâmica. Com isto, o etanol será viável mesmo nos níveis rigorosos de regulamentação previstos para a próxima década. O etanol também é um combustível competitivo para veículos híbridos das categorias HEV e PHEV e pode tornar-se a base de células de combustível eficientes”, acrescentou o diretor da FCA.

Ainda há muito trabalho conjunto a ser feito. Um exemplo é a necessidade de melhorar a especificação do combustível, com redução do conteúdo de água no etanol. Outra vertente é o desenvolvimento do etanol de segunda geração. Com isto, será possível ampliar a utilização do etanol na matriz energética da mobilidade, melhorar em cadeia o consumo dos veículos e, consequentemente, reduzir o nível de emissão de CO2.

João Irineu enfatizou que o Brasil tem quatro décadas de acúmulo de tecnologia na produção do etanol combustível e de veículos que o utilizam. Intensificar a opção pelo etanol é uma decisão inteligente, que leva em conta a imensa plataforma produtiva, logística e de distribuição já implantada no país.

“Temos que tirar disto as vantagens comparativas que representam na busca de uma mobilidade com menos carbono e de um balanço mais favorável de emissões. Temos que investir tempo, dinheiro e inteligência nisto. E só o Brasil pode fazer isto. Nenhum outro país tem um ativo desta importância e magnitude”, argumentou. “Para isto nós precisamos de uma agenda estratégica compartilhada entre governo, empresas, universidades e sociedade”, concluiu.

Homenagem pelo pioneirismo

Realizada no Hotel Grand Hyatt, a 19ª Conferência Internacional Datagro sobre açúcar e etanol contou com a participação dos ministros Bento Costa Lima Leite, das Minas e Energia, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente.

Para celebrar os 40 anos do protocolo do carro a etanol, os ministros convidaram no primeiro dia da conferência figuras importantes que ajudaram a desenvolver as tecnologias que viabilizaram veículos mais eficientes e menos poluentes. Dentre os homenageados, João Irineu recebeu do ministro do Meio Ambiente o prêmio outorgado à Fiat Chrysler Automóveis (FCA) pelo pioneirismo na produção em série do Fiat 147 em 1979. Este foi o primeiro carro a etanol do Brasil.

Fiat é pioneira na produção do carro a álcool

Em 5 de julho de 1979, chegava às ruas brasileiras o primeiro Fiat 147 a etanol. Esta data entrou para a história. A marca Fiat foi pioneira no mundo na produção em série do motor a etanol. Apelidado de “Cachacinha” por causa do odor característico exalado pelo escapamento, o Fiat 147 a etanol simbolizou um marco importante para a engenharia automotiva brasileira, que a partir daquele dia 5 de julho de 1979 engatou uma marcha na direção do desenvolvimento de tecnologias em prol de veículos mais eficientes e menos poluentes.

A história do Fiat 147 a etanol remonta a 1976, quando as pesquisas e desenvolvimento do motor movido ao derivado da cana-de-açúcar começaram – mesmo ano em que o 147 a gasolina foi lançado no Brasil, tornando-se o primeiro carro Fiat fabricado no país. Ainda em 1976, em sua primeira participação no Salão do Automóvel de São Paulo, a Fiat expôs um protótipo do 147 a etanol com dezenas de milhares de quilômetros rodados. O ano seguinte foi dedicado ao aperfeiçoamento técnico do produto, além da produção de novas unidades que foram sendo submetidas a diversos testes.

Em 1978, a Fiat desenvolveu o motor 1.3 de 62 cv de potência e 11,5 kgfm de torque que, durante os testes, acabou se mostrando mais adequado para o uso do etanol que o propulsor a gasolina de 1.050 cm3, até então utilizado no 147. No início daquele ano, três Fiat 147 a etanol foram entregues ao DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) para serem experimentados no policiamento da Ponte Rio-Niterói. Em setembro de 1978, um Fiat 147 100% a etanol realizou o que viria a ser o teste definitivo para criação do primeiro motor brasileiro a etanol: uma viagem de 12 dias e 6.800 quilômetros de extensão pelo país, percorrendo uma média superior a 500 km diários, três mil quilômetros por vias de terra e variações climáticas de mais de 30 graus.

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