O presidente do grupo Ford para as Américas, Joe Hinrichs, confessou à agência Bloomberg, na semana passada, que a empresa espera o fechamento do balanço do primeiro trimestre na América do Sul com um possível prejuízo da ordem de 300 milhões de dólares, conforme publicou o Portal Terra. 
 
Como a previsão ainda é uma estimativa para o fechamento do primeiro trimestre, é possível que a Ford Brasil, carro chefe da marca no continente, com uma longa história de lucros trimestrais, sempre anunciados, sem se falar em valores, registre um balanço no vermelho.
 
No período das vacas magras da Ford, durante a recessão econômica nos Estados Unidos, a América do Sul apresentou resultados positivos que colaboraram com o caixa de Dearborn. Mas, agora, segundo Hinrichs, a situação piorou pelas perdas provocadas pelos mecanismos de câmbio, inflação e limitações nas vendas pelas novas regras de importação impostas pelo Brasil e Argentina.
 
Dessa forma, de acordo com Hinrichs, moedas mais fracas e crescimento da inflação, cujos índices são disfarçados em muitos países da região, vão desafiar os lucros e margens em 2013. Para ele, o estabelecimento de cotas máximas de importação do México, estabelecidas pelo Brasil, teriam afetado as vendas dos modelos Fusion e Fiesta.
 
Para este problema, há solução: investir e produzir aqui, como aconteceu com o New Fiesta Hatch que já esta sendo fabricado em São Bernardo do Campo, cuja linha também será compartilhada com o modelo sedan.
 
Mais ao norte, na Venezuela, a Ford acredita que a desvalorização do bolivar em 32% e galopante inflação, após a morte de Hugo Chavez, afetam o mercado daquele país e as vendas despencaram. Na Argentina, também importante fabricante da região, não se sabe qual é o índice de inflação que assola o país, segundo a própria imprensa local.
 
Todavia, a reclamação do executivo da Ford de que a entrada de novas marcas no mercado da América do Sul, com preços agressivos e planos de produção local deve levar a uma saturação na oferta de veículos na região, não procede. O que aconteceu no Brasil se deve mais a erros de projeção, principalmente das marcas norte-americanas, sobre o futuro do mercado na região e à lentidão de decisões sobre investimentos para a produção de carros modernos e tecnológicos. Afinal, até a alguns anos, o segmento produzia “carroças”. 
 
Nesse contexto, a Ford deu o exemplo de conduzir uma linha de veículos globais atualizados e vendidos em todo o mundo com o mesmo design e tecnologia. Todavia, ainda continuaremos patinando e, não se sabe até quando, com os brasileiros comprando carrinhos com motorização 1.0 por valores em torno de 40 mil reais, graças aos altos impostos que pagamos apesar de “bondades” como a prorrogação e manutenção da atual taxa do IPI até o final do ano. Mas e os impostos em cascata?
 
A competitividade no mercado nacional se acentua porque carros chineses e coreanos invadem nossas praias com promoções agressivas que vão minando as estatísticas de vendas dos concorrentes. Além disso, muitas marcas orientais já estão construindo fábricas no Brasil, o que, certamente, vai acelerar ainda mais, a disputa por fatias mais gordas do bolo da produção nacional de automóveis. C\est la vie.
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