Com muita chuva é importante que o motorista esteja atento às condições de segurança do veículo e como prevenir acidentes em pista molhada e nas estradas. Os cuidados começam com uma boa revisão no carro, levando em conta alguns itens essenciais: pneus, palhetas, freios, lanterna, pisca.
A falta de cuidado com as palhetas, por exemplo, oferecem grande risco de segurança. “Numa chuva forte, o ideal é que o motorista pare em local seguro e aguarde a chuva diminuir. Mas se quiser prosseguir, é importante que as palhetas estejam funcionando perfeitamente bem, para não ocasionar perda de visibilidade”, sugere o Engenheiro Mecânico, Fabio Okano, Gerente de Engenharia de Veículos da Ford.
Um outro item que merece atenção redobrada são os pneus, que podem causar grandes acidentes em pistas molhadas, devido a falta de atrito com o solo. Pneu careca não tem atrito com a pista, mesmo quando o chão está seco, pois sem as ranhuras, o pneu não escoa a água e com isso a chance de aquaplanagem aumenta. O ideal é trocar os pneus antes que eles cheguem a este estado, e calibrá-los toda semana.
Pode até parecer desnecessário o uso do ar-condicionado durante a chuva, mas  é um item de conforto, que com as janelas fechadas, vai garantir que os vidros não embacem e atrapalhem a visão do motorista. Se o veículo tiver desembaçador traseiro, também é recomendado usá-lo.
Outra peça muito importante são os freios. Alguns tipos podem ter sua eficiência reduzida em contato com a água. “É importante, durante a chuva, desacelerar para evitar aquaplanagem, quando há nenhum ou muito pouco contato com o piso”, completa Fabio. Para evitar a situação de aquaplanagem, é recomendado tirar o pé do acelerador e manter a direção em linha reta. 
Evitar locais inundados também é primordial. Mas se não tiver outra opção, o motorista deve prestar atenção no veículo da frente, para verificar a profundidade da água, e avaliar se o seu veículo é capaz de atravessar sem correr riscos. “Numa situação de enchente, o carro deve manter uma velocidade constante e não se deve trocar de marcha, para evitar o chamado calço hidráulico, que é a entrada de água pelo sistema de captação de ar do motor”, explica Fábio Okano.
Baixa aderência
O asfalto molhado reduz o atrito entre os pneus e o solo, reduzindo a capacidade do veículo de frear, acelerar, fazer curvas e realizar manobras de emergência. “Por conta disso, o motorista deve se preparar para antecipar seus movimentos, redobrando a atenção”, afirma Okano.
As dicas abaixo podem minimizar bastante o risco de acidentes ao trafegar com pista molhada:
  • Mantenha os pneus em boas condições e jamais trafegue com pneus carecas. Pneus desgastados possuem capacidade limitada de remover água da pista, favorecendo a aquaplanagem. O limite de desgaste indicado nos pneus deve sempre ser respeitado, sendo também importante verificar constantemente a calibragem;
 
  • Reduza a velocidade em pistas molhadas. Quando começa a chover, a água e a fuligem seca do asfalto criam uma mistura muito escorregadia. Conforme a chuva aumenta, essa mistura é dissolvida, porém o atrito do pneu com o solo continua baixo por conta do asfalto encharcado. Nessas condições, trafegar em velocidades baixas proporciona maior controle do veículo e maior tempo de reação em casos de imprevistos, além de reduzir o risco de aquaplanagens. O ideal é diminuir a velocidade em 20% com relação à velocidade desenvolvida em pista seca. Ou seja, se o limite de velocidade estabelecido for de 100km/h, procure limitar a velocidade em torno de 80km/h. Em situações de chuva forte e baixa visibilidade, a velocidade deve ser reduzida ainda mais;
 
  • Aumente a distância do veículo da frente. Com pista seca, a recomendação é respeitar um intervalo de dois segundos para o carro que estiver à frente. Com chuva, esse intervalo deve ser de quatro segundos. Para calcular esse intervalo, basta marcar um ponto de referência na pista e contar o tempo entre a passagem da traseira do carro da frente e a passagem da dianteira do carro que vem atrás;
 
  • Evite manobras e frenagens abruptas. Com a pista molhada, as reações do veículo são limitadas. Por isso, deve-se dirigir com suavidade nessa circunstância. Movimentos rápidos e freadas bruscas podem levar a perda de controle do carro. Para reduzir a velocidade em descidas e antes de curvas, é recomendado utilizar o auxílio do freio motor, ou seja, reduzir marchas. Frenagens abruptas devem ser feitas apenas em emergências, principalmente em veículos sem ABS e em situações de tráfego intenso;
 
  • Mantenha a calma em caso de aquaplanagem. Nessa situação, o procedimento correto é tirar o pé do acelerador e segurar firme o volante até que o contato com o solo seja retomado. Frenagens e movimentos bruscos no volante durante a aquaplanagem podem desestabilizar o veículo.
Baixa visibilidade
As nuvens carregadas de chuva reduzem a luminosidade externa e a água da chuva altera as condições de visibilidade ao cair no para-brisa e no piso. As recomendações abaixo podem ser úteis para reduzir riscos nessas condições:
  • Mantenha as palhetas do limpador de para-brisa em bom estado. Palhetas desgastadas não removem a água da chuva adequadamente e podem causar danos ao para-brisa, como marcas e riscos. Além disso, é importante conservar o para-brisa limpo e sempre verificar o nível de água do limpador;
 
  • Acenda os faróis quando chover, mesmo durante o dia. Dessa forma, o carro fica mais visível para pedestres e outros motoristas. Porém, o farol alto não é aconselhado, pois sua luz pode ser refletida na chuva, causando ofuscamento, principalmente se também houver neblina. Nessas situações, o farol baixo é recomendado;
 
  • Evite o embaçamento dos vidros. O ar-condicionado e o desembaçador traseiro devem ser acionados sempre que necessário. Quando esses equipamentos não estiverem disponíveis, o ventilador deve ser ligado na direção do para-brisa e as janelas devem ficar com uma pequena abertura.
 
Alagamentos
Transpor trechos alagados é uma ação arriscada e que pode trazer sérias consequências, não somente pela profundidade e correnteza da água, mas também pela eventual presença de obstáculos submersos como bueiros abertos, pedras e troncos. “O ideal é evitar rotas alagadas ou que historicamente apresentam problemas de enchente. “Se você decidir que a passagem pelo trecho alagado é inevitável, tenha consciência que está assumindo um risco”. As dicas abaixo podem tornar a transposição de um trecho alagado menos perigosa:
  • Jamais tente atravessar trechos com correnteza. O veículo pode ser arrastado pela força da água;
 
  • Avalie a profundidade da água. Em veículos de passeio, evite passar por trechos onde o nível da água esteja acima do centro da roda;
  • Utilize a primeira marcha para atravessar trechos alagados. Dessa forma, o carro terá mais força de tração para transpor a resistência da água e eventuais obstáculos que estejam submersos;
  • Dirija em velocidade baixa e constante, evitando acelerar e frear durante a travessia. O fluxo constante de gases pelo escapamento irá minimizar as chances de que ele seja bloqueado pela água, o que interromperia o funcionamento do motor. A baixa velocidade também evita a formação de ondas na frente do automóvel, minimizando a chance de ocorrer o “calço hidráulico”, quando o motor para de funcionar devido à entrada de água pelo filtro de ar;
  • Evite passar por trechos alagados onde outros veículos estejam trafegando. O carro da frente pode ter problemas e parar subitamente, fazendo com que os automóveis subsequentes fiquem presos no fluxo. Um veículo por vez deve transpor o trecho alagado. 
 
Outras dicas
  • Cuidado nas ultrapassagens: Sinalize, para que o outro carro saiba o que você vai fazer;
 
  • Cuidado ao entrar no carro com os sapatos molhados. Seu pé pode escorregar na hora de pisar em um dos pedais;
 
  • Parte elétrica:  certifique se todas as luzes (de freio, piscas, lanterna, farol e painel) estão em perfeito funcionamento;
 
  • No caso de algum problema mecânico:  ligue o pisca-alerta e sinalize o local com o triângulo;
 
  • Não dirija com sono. Se perceber que não vai resistir, faça paradas regulares, descanse e depois siga viagem.
 
  • Use o cinto de segurança SEMPRE. Isto é importante tanto para quem viaja no banco da frente quanto para quem vai no banco de trás.
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