A JAC Motors do Brasil está sob intervenção. Os chineses decidiram assumir o volante da operação, empurrando para o banco de trás o empresário Sergio Habib (foto), seu sócio e, até então, todo poderoso da montadora no país. Quem viu a recém-anunciada inversão das participações societárias – a matriz, que detinha apenas 34% da subsidiária, passará a ter 66% do capital – não sabe da missa a metade.
 
De acordo com a newsletter Relatório Reservado, os asiáticos preparam mudanças ainda mais drásticas, que refletiriam o esgarçamento de suas relações com Habib, responsável por trazer a marca para o Brasil. Segundo fontes ligadas à JAC, a montadora vai designar um executivo chinês para comandar toda a operação brasileira. Sua missão prioritária será conduzir a construção da fábrica de Camaçari (BA), projeto que, desde o início, sempre esteve concentrado nas mãos de Habib. Há fortes indícios de que a JAC estaria preparando o terreno para ejetar Sergio Habib da operação brasileira e assumir integralmente o controle da subsidiária. No entanto, este é um movimento extremamente delicado, que teria de ser consumado em doses homeopáticas. Os chineses não podem prescindir, da noite para o dia, da presença de Habib no projeto.
 
Do ponto de vista comercial, a JAC depende integralmente do empresário, dono de todas as 50 concessionárias da marca no país. Antes de selar o eventual divórcio, a montadora precisaria de um certo tempo para criar uma nova estrutura de distribuição no Brasil. O RR apurou que a JAC já teria mantido contatos com um dos maiores grupos revendedores de automóveis do país, dono de concessionárias das mais diversas bandeiras. Nos últimos meses, os desentendimentos entre a JAC e Sergio Habib, ex-presidente da Citroën no Brasil, aumentaram consideravelmente.
 
O principal foco de estresse é justamente a construção da fábrica de Camaçari, a primeira da empresa no Brasil. Os atrasos nas obras provocaram sucessivos adiamentos da inauguração da planta industrial. No mais recente, a data para o início das operações passou de dezembro deste ano para junho de 2015. No entanto, convictos de que Habib não conseguiria cumprir o novo prazo, os chineses decidiram intervir e assumir o empreendimento. Até porque os atrasos vêm sendo acompanhados de recorrentes aumentos dos custos do projeto, que batem diretamente no caixa do grupo. Procurada pelo RR, a JAC Motors do Brasil negou qualquer desentendimento entre a JAC China e o empresário Sergio Habib. Assegurou que não existe possibilidade de rompimento do contrato, em vigor até 2025. A companhia informou ainda que a vinda de executivos chineses para a fábrica "não só é prevista como natural."
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