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Pandemia derruba movimento nas estradas, mas acidentes estão mais letais

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Segundo especialistas, excesso de velocidade deixou os acidentes mais violentos e o número de mortes se manteve estável

Durante a pandemia, o movimento nas estradas em todo o país caiu cerca de 15%. O número de acidentes e mortes, no entanto, se manteve estável. Na avaliação dos especialistas, o motivo é o excesso de velocidade, que deixou os acidentes mais violentos e letais. “O brasileiro priorizou o transporte com carros e motos para reduzir o risco de contaminação e, diante de ruas e estradas vazias, o excesso de velocidade vem causando acidentes mais violentos, mantendo o número de mortes estável em várias cidades”, avalia o coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Medicina do Tráfego e diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra.

Estudo do instituto de pesquisa WRI Brasil mostrou que, embora o número de acidentes tenha diminuído no Brasil durante a pandemia, a gravidade deles aumentou. “Isso acontece por causa da mudança de hábito dos motoristas, que estão mais imprudentes e adotando comportamentos de risco como dirigir em alta velocidade, provocando ferimentos ainda mais graves e muitas vezes fatais”, afirma o especialista em segurança viária.
Em Campinas, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador, diz o WRI, a redução de acidentes fatais em abril deste ano foi menor do que a de acidentes com vítimas. “Reduzir a velocidade nas ruas e rodovias salva vidas. Segundo estudos internacionais, cada 1,6km/h reduzido na velocidade em vias urbanas diminui em 6% as mortes no trânsito. Por isso a fiscalização é fundamental”, completa o especialista.

Nas rodovias federais, frear o comportamento de risco dos motoristas tem sido cada vez mais difícil graças à política implantada a partir de 2019 de desligar radares fixos e limitar a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal com radares portáteis, uma ação que vai na contramão dos países desenvolvidos e que têm um trânsito mais seguro. Segundo o estudo “Indústria da Multa ou Fábrica de Criminosos do Trânsito?” feito pela SOS Estradas, menos de 0,5% dos mais de 80 milhões de condutores é flagrado em excesso de velocidade nos radares em operação no Brasil.

Como resultado dessa política, em 2019, as mortes aumentaram em média 15% ao mês nas rodovias federais, comparando com o mesmo período de 2018. Ao mesmo tempo, diz o SOS Estradas, as multas por excesso de velocidade nas rodovias federais, aplicadas pela PRF, caíram de 2.345.158 em 2018 para 1.446.344 em 2019 e 392.397 em 2020.

Assim como o consumo de álcool, a velocidade é um dos principais fatores de risco nos acidentes de trânsito. “O aumento da fiscalização é imprescindível para termos um trânsito mais seguro e com menos mortes e acidentes. Esse estudo da SOS Estradas prova isso de forma muito didática. Estamos cometendo o erro de concordar com uma legislação que só beneficia o infrator. Nas rodovias federais, que tiveram uma queda de 70% na fiscalização, não houve redução significativa das mortes. Quando se investe em fiscalização, como a Polícia Militar Rodoviária de São Paulo fez em 2020, o resultado foi uma redução de 10% das mortes”, completa Coimbra.

Foto: Pixabay

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