Grandes empresas enfrentam um problema em comum ao anunciarem os bônus ou recompensas anuais aos seus CEOs, pelo desempenho e trabalho desenvolvido em benefício da corporação. Mas a opinião pública se divide. Uns acham um exagero os milhões de dólares destinados ao bolso do comandante e se queixam que é muito dinheiro para um executivo ganhar. Outros acham justo, se os resultados convencem os acionistas e o progresso da empresa é notório.
 
Um bom exemplo de mercado, para se avaliar a atuação do líder de uma empresa, é o caso da Ford que avalia ser muito justo cada centavo que Alan Mulally, CEO da Ford Motor Company, acaba de receber, pelo seu trabalho em 2012 – cerca de 21 milhões de dólares, em bônus.
 
Mas, o que fez Mulally no seu reinado de seis anos para ser recompensado com toda essa “gratidão” pela Ford? A resposta é simples – em 2006, quando assumiu o leme, a Ford, como suas concorrentes GM e Chrysler, enfrentavam enormes problemas financeiros com dívidas colossais, ele, simplesmente salvou a empresa.
 
Em seu discurso de posse, Mulally, que anteriormente comandou a Boeing, disse claramente: “nunca entrei numa indústria automobilística” o que causou apreensão na plateia. Mas, mostrou suas virtudes e seus planos, o principal deles respaldado em “gestão”, especialista que é nessa matéria.
 
Dessa forma ele demonstrou que se assustou ao tomar conhecimento que havia várias Ford. Mas, para ele, o foco deveria ser um só – a Ford. Assim, com a aprovação do Conselho, ele começou a subir uma grande montanha para enfrentar o registro de um prejuízo de 12,6 bilhões de dólares, quase 2.000 dólares para cada carro ou caminhão vendido, naquele ano. A pior perda da história da Ford. Em seguida, a queda foi ainda maior no período entre 2006 e 2008, quando a empresa conseguiu perder 30 bilhões de dólares.
 
O renascimento
 
Tal qual aconteceu com o renascimento artístico e cultural que pôs fim à idade das trevas, a Ford renasceu, no meio da crise, no final de 2008, quando anunciou, sob muita desconfiança, que iria superar a recessão e voltar a dar lucro até 2011. No momento em que os concorrentes pediam ajuda ao governo dos Estados Unidos para não entrarem em processo de falência, Mulally afirmou que a Ford se salvaria com seus próprios recursos.
 
De fato, era difícil de acreditar. Mulally entrou em ação vendendo todas as marcas satélites da Ford, salvando apenas a Lincoln, demitindo empregados e investindo em novas fábricas na índia e China e na tendência de carros híbridos e elétricos. Decidiu fazer caixa com o penhor de todos os bens materiais da companhia, até o oval azul. Dois anos antes do previsto, em 2009, a Ford anunciou seu primeiro lucro anual, em quatro anos, cerca de 5 bilhões de dólares.
 
O seu plano One Ford de plataformas globais e a constante introdução de novos modelos, além da completa renovação de outros, Os novos motores econômicos e com menores índices de poluição, tudo com o tradicional desempenho de seus veículos estão cativando os compradores em todo o mundo.
 
No final da história, a Ford recuperou todo o seu patrimônio penhorado e voltou a ser uma empresa lucrativa. Na opinião de alguns acionistas, o melhor seria dobrar o salário de Mulally se ele concordar em ficar no cargo até 2020. “Ele vale cada centavo” é o que a Ford pensa.
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