Quem mora em São Paulo (SP) leva, em média, 43 minutos para ir de casa para o trabalho diariamente. No Rio de Janeiro (RJ), o tempo gasto é semelhante e, no Recife (PE), o mesmo trecho toma quase 35 minutos do trabalhador. Esses tempos superam ao despendido em grandes metrópoles como Nova Iorque, Paris, Madri e Berlim (confira gráfico abaixo). É o que aponta um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
 
O levantamento mostra, ainda, o período gasto de acordo com a faixa de renda da população. Na média das áreas metropolitanas analisadas, os considerados pobres demoram quase 20% mais do que os mais ricos para chegar ao trabalho. Do total pesquisado, 19% daqueles que possuem faixa salarial menor fazem viagens com duração acima de uma hora (somente trajeto de ida), enquanto esta proporção entre os mais ricos é de apenas 11%.
 
Em Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, por exemplo, a diferença entre pobres e ricos é consideravelmente pequena, apesar das diferentes condições destes dois grupos em termos de capacidade de escolha do local de moradia e de dependência do transporte público. Por outro lado, nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba e Distrito Federal, o grupo mais pobre faz viagens casa-trabalho respectivamente 40%, 61% e 75% mais demoradas do que os mais ricos.
 
Os resultados apontam para importância de futuros estudos que investiguem em que medida esta desigualdade nos tempos de viagem é resultado de diferentes níveis de segregação espacial e de acessibilidade dos bairros nas áreas metropolitanas brasileiras. Em muitas cidades, os mais pobres moram muito afastados dos locais de trabalho e têm problemas com o transporte público.
 
Tempo gasto até o trabalho no Brasil e no mundo (em minutos)
 
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Motorização
 
A pesquisa, realizada a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra também os índices de motorização nas cidades, o que afeta diretamente o trânsito, devido ao número elevado de veículos nas ruas.
 
Dentre as dez maiores regiões metropolitanas do país, Curitiba tem a maior taxa de motorização, ou seja, o maior número de automóveis para cada grupo de cem pessoas: são 41,6. Em seguida aparecem São Paulo (38,1), Distrito Federal (37,3), Porto Alegre (31,2) e Belo Horizonte (29,6).
 
O levantamento contempla o período de 1992 a 2009 e revela dados curiosos. Curitiba e Porto Alegre, que nos anos 1990 instalaram bons sistemas de transporte público, com corredores de ônibus, mantiveram praticamente inalterado o tempo médio de viagem de seus habitantes, evitando a piora observada em outras cidades. Entretanto, quando comparados os 10% mais pobres aos 10% mais ricos, contrariamente à capital gaúcha, Curitiba tem um dos maiores níveis de desigualdade nas durações de viagem, em grau semelhante ao de Brasília, onde os pobres demoram, em média, quase o dobro dos ricos.
 
Fonte: Agência CNT de Notícias
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