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Troca desnecessária de peças automotivas é nociva e tem grande potencial poluidor

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Conhecida como “empurrometria”, prática é comum em pontos de venda não especializados e pesa no bolso do consumidor

Há mais de uma década, uma das medidas governamentais para garantir que a economia nacional se mantenha aquecida é o incentivo à venda de automóveis. O segmento é o segundo maior mercado da indústria do aço e atualmente é considerado vital para o desenvolvimento econômico do Brasil. No entanto, a produção e o descarte de peças estão no centro de debates sobre desenvolvimento sustentável e preservação ambiental. A “empurrometria”, prática bastante comum em pontos de vendas não especializados que consiste na substituição irregular de peças automotivas que não precisariam necessariamente ser trocadas, além de prejudicar a credibilidade das oficinas automotivas, também impacta o bolso do consumidor e o meio ambiente negativamente.

“Este tipo de postura é nefasto para o setor em geral, mesmo que apenas uma pequena parcela das oficinas automotivas a exerça. No fim, quem colhe as consequências são os consumidores, que pagam preços altos por serviços desnecessários, e o meio ambiente, que precisa absorver o descarte excessivo de materiais e líquidos prejudiciais, quando não reciclados corretamente”, explica Dirceu Delamuta, presidente da Abrapneus.

Considerando que um veículo é composto por peças complexas como metais, plásticos, óleos, graxas, pneus e baterias, é sabido que estes materiais levam muitos anos para se decompor na natureza, podendo contaminar o solo e as águas durante o seu período de degradação. Além disso, os derivados de petróleo e ácidos – existentes nas baterias – também têm um grande potencial poluidor após contato com o solo e água.

De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), atualmente é obrigatório que oficinas recolham e destinem corretamente baterias, pneus, óleos lubrificantes e demais produtos químicos que possam causar danos ao meio ambiente; no entanto, segundo Delamuta, essa regra nem sempre é seguida à risca. “Na prática, principalmente em pontos de venda não especializados, o que prevalece é uma visão de lucro que ultrapassa a consciência de preservação ambiental”, ressalta. Para evitar dor de cabeça, é imprescindível que o consumidor opte por oficinas certificadas e confiáveis.

Remanufatura de peças: vale a pena?

Muito se questiona sobre a utilização ou não de um produto remanufaturado como forma de economizar. Diferente da peça recondicionada, uma peça remanufaturada é reindustrializada exclusivamente pelo próprio fabricante do produto e consiste na recuperação ou substituição de componentes desgastados por novos ou recuperados, dentro dos níveis de qualidade exigidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“Na remanufatura, os cuidados e a análise do que pode ou não ser reaproveitado começam no momento em que a peça é retirada do veículo e, até que volte para o mercado, passa por rigorosas avaliações no processo”, explica Delamuta. “Verifica-se se há trincas, se há alinhamento e se atende às exigências de uso. Caso não esteja de acordo com as especificações de fábrica, ela deve ser imediatamente descartada”, acrescenta.

A remanufatura de produtos feita de forma adequada e seguindo as normas surge como uma alternativa viável para minimizar os impactos do descarte de peças automotivas no meio ambiente. “Por isso, mais uma vez, é essencial que o consumidor escolha uma oficina de confiança para performar cada um destes serviços. Por mais que os preços possam parecer mais altos, a segurança e qualidade são garantidas”, finaliza Dirceu.

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