Representantes da indústria brasileira de pneus e de toda a cadeia produtiva ligada à borracha divulgaram um manifesto pedindo medidas urgentes ao Governo Federal para conter o avanço das importações e preservar a produção nacional. Segundo o documento, o setor enfrenta uma crise que ameaça empregos, investimentos e a própria cadeia produtiva do país.
De acordo com o manifesto, a participação de pneus importados no mercado brasileiro de reposição para veículos de passeio e de carga chegou a 72% em janeiro de 2026, enquanto a indústria nacional caiu de 66% de participação em 2021 para apenas 28% no início deste ano. Para as entidades signatárias, o cenário representa um risco para a soberania produtiva brasileira e para milhares de empregos.
O documento também destaca que a indústria nacional possui 11 empresas associadas, com 19 fábricas em sete estados, responsáveis por mais de 35 mil empregos diretos e cerca de 500 mil indiretos. Além da produção industrial, o setor tem forte ligação com o campo, já que consome cerca de 80% de toda a borracha natural produzida no Brasil, movimentando a economia de milhares de produtores e seringueiros. S
egundo o manifesto, a retração da indústria provoca efeitos em cadeia. A redução do consumo de borracha natural impacta diretamente a renda de produtores rurais e atinge outros segmentos fornecedores, como siderurgia, indústria química e o próprio agronegócio brasileiro.
As entidades apontam diversos fatores que teriam contribuído para o aumento das importações e a perda de competitividade da produção nacional. Entre eles estão a entrada de pneus estrangeiros a preços muito baixos, em alguns casos abaixo do custo das matérias-primas. Além de reduções temporárias de tarifas de importação adotadas nos últimos anos.
Outro fator citado é a valorização cambial em determinados períodos, que favorece a importação de produtos acabados. O manifesto também menciona o chamado desvio de comércio, quando medidas protecionistas adotadas por outros países redirecionam exportações para mercados com menos barreiras, como o Brasil.
As entidades ainda apontam um problema ambiental. Segundo o documento, importadores não estariam cumprindo metas de destinação adequada de pneus inservíveis previstas em lei, acumulando um passivo ambiental estimado em 500 mil toneladas entre 2011 e 2025.
Para reverter o cenário, o setor propõe um conjunto de medidas consideradas urgentes. Entre elas estão:
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criação de licenciamento não automático para importações, com análise mais rigorosa da documentação;
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maior rapidez em investigações antidumping e adoção de medidas provisórias de proteção;
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estímulo a compras públicas de pneus com conteúdo nacional e conformidade ambiental;
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revisão das tarifas de importação, alinhando-as às praticadas por países com forte base industrial;
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implantação de uma política de estímulo à produção de borracha natural no Brasil.
O manifesto é assinado por diversas entidades da cadeia produtiva, incluindo associações industriais, representantes do setor químico, produtores de borracha, sindicatos e organizações ligadas à reciclagem e destinação de pneus.
As organizações afirmam que as medidas são necessárias para garantir a competitividade da indústria nacional, preservar empregos e evitar que o Brasil se torne dependente de produtos importados em um setor considerado estratégico para a economia.










