O ticket médio de venda dos veículos usados e seminovos chegou a R$ 90.082 em maio de 2026, segundo o Estudo Megadealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com dados transacionais da plataforma Auto Avaliar. O avanço ocorre em um mês de maior atividade operacional nas concessionárias, com 293.163 avaliações e 51.609 captações, volumes 22,6% e 15,56% superiores, respectivamente, ao mesmo período de 2025. Os dois indicadores também atingiram o recorde anual.
Para Fábio Braga,Country Manager da Megadealer, o dado mostra que o mercado de usados segue aquecido, mas exige mais precisão na gestão comercial. “Ver o ticket médio superar R$ 90 mil mostra que o usado ganhou ainda mais relevância econômica dentro das concessionárias. Mas esse valor por si só não garante rentabilidade. O desafio é comprar bem, precificar corretamente e girar o estoque com velocidade”, afirma Braga.
Apesar do maior ticket médio do ano, a margem bruta média ficou em 10,3%, com margem em reais de R$ 9.247. O resultado indica uma volta aos patamares médios observados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, evidenciando maior pressão de precificação no segmento.
Outro indicador positivo foi o giro de estoque, que caiu para 37 dias em maio. A redução do prazo médio de permanência dos veículos em estoque contribuiu para elevar o ROI anualizado dos seminovos, cuja média ficou em 72%, reforçando a importância da velocidade de venda como fator central para a rentabilidade do departamento de usados.
“O giro é hoje um dos maiores motores de rentabilidade no usado. Não adianta buscar margem alta se o veículo fica parado no pátio por muito tempo. O bom resultado vem do equilíbrio entre preço de compra, margem e velocidade de venda”, afirma Braga.
Mesmo com o avanço no volume de atividade, a taxa de captação sobre avaliações ficou em 17% em maio. O dado mostra que, embora mais veículos estejam sendo avaliados nas concessionárias, ainda há espaço para melhorar a conversão dessas avaliações em captações efetivas para o estoque.
Segundo o CEO da Auto Avaliar, J. R. Caporal, essa diferença entre avaliar e captar é um dos principais pontos de atenção para as redes. “A avaliação é a porta de entrada do usado, mas a rentabilidade está na qualidade da captação. Uma concessionária pode avaliar muito e ainda assim perder oportunidade se não tiver processo, velocidade de decisão e política clara de compra. Converter melhor é um diferencial competitivo”, diz.
Ranking
Entre os seminovos ano-modelo 2023 a 2025 com maior retorno no mês, o Renault Kwid liderou o ranking, com preço médio de R$ 53,8 mil, margem bruta de 13,5% e giro médio de 43 dias. Na sequência aparecem o Peugeot 208, com preço médio de R$ 74,9 mil, margem de 11,9% e giro de 38 dias, e o Caoa Chery Tiggo 5x, com preço médio de R$ 106,7 mil, margem de 11,6% e giro de 37 dias.
O levantamento também mostra que os modelos que giraram mais rápido foram o Tiggo 7, com 33 dias, e o Toyota Corolla, com 34 dias. Entre os veículos com maior margem bruta, o Kwid também aparece na liderança, seguido por Citroën C3, Fiat Argo, Peugeot 208 e Hyundai HB20.
Na análise por segmento, os elétricos e híbridos de marcas chinesas, especialmente BYD e GWM, apresentaram o melhor desempenho em ROI, com 113%. Para Braga, o desempenho dos eletrificados chineses mostra que o mercado de seminovos começa a absorver novas dinâmicas de demanda. “Os elétricos e híbridos chineses já aparecem com força no indicador de ROI. Isso mostra que o varejo precisa acompanhar de perto a mudança no comportamento do consumidor e entender quais modelos têm liquidez real no usado, não apenas apelo no zero-quilômetro”, avalia.
O segmento A-Hatch também se destacou, com 107%. Já B Pickup e D SUV tiveram os resultados mais baixos do recorte, pressionados por maior prazo médio de estoque e margens mais comprimidas. O mix de vendas mostra que os SUVs compactos continuam com peso relevante no mercado de seminovos. O segmento B-SUV respondeu por 30% do mix em maio, avanço de 0,6 ponto percentual em relação a abril. Já os elétricos e híbridos chegaram a 3,2% do mix, alta de 0,1 ponto percentual no mês.
Para a Caporal, os dados reforçam que o mercado de usados vive um momento de aquecimento, mas também de maior exigência operacional. O aumento no volume de avaliações e captações cria oportunidades para as concessionárias, mas a rentabilidade depende cada vez mais de gestão precisa de estoque, precificação adequada e velocidade de giro.
“Mais do que vender caro, o desafio é comprar bem. O usado exige método, dado e disciplina. As redes que conseguem olhar para captação, preço, margem e giro de forma integrada tendem a capturar melhor esse momento de mercado”, conclui.
A amostra do Estudo Megadealer de Performance de Veículos Usados engloba 3.089 concessionárias de 22 diferentes marcas conectadas na plataforma Auto Avaliar, que atingiu, em 2025, volume recorde histórico de avaliações e captações. Com presença em sete países, a Auto Avaliar atende, atualmente, 4.200 concessionárias e mais de 38.000 lojas independentes e realiza US$1,4 bilhão de vendas anualmente.










