A Porsche apresentou uma nova estratégia de negócios com horizonte até 2035, combinando expansão do portfólio de alto padrão, maior exclusividade e uma forte agenda de redução de custos. Batizado de “Sportwagenschmiede ’35”, o plano mantém o princípio de “valor acima de volume” e prevê uma Porsche mais concentrada em modelos de maior margem, com mais opções de personalização e novas tecnologias de propulsão.
Entre as principais novidades está a intenção de ampliar a presença nos segmentos D e E, considerados estratégicos pela rentabilidade. A marca também prepara novos produtos para os próximos anos. Os esportivos elétricos 718 Boxster e Cayman devem começar a contribuir de forma mais relevante para os resultados a partir de 2028, enquanto um novo SUV do segmento B, com motores a combustão e híbridos plug-in, será lançado no mesmo ano para atuar ao lado do Macan elétrico.
A expansão da gama continuará nos segmentos superiores. A Porsche anunciou estudos para um SUV do segmento D posicionado acima do Cayenne e revelou o desenvolvimento de uma plataforma para um futuro superesportivo de motor central, destinado a ocupar um espaço acima do 911. A empresa também pretende lançar pelo menos um novo produto de destaque por ano até 2030, além de atualizar as linhas atuais.
A estratégia prevê ainda uma mudança importante na composição do portfólio. A Porsche quer reduzir em cerca de 20% o número de versões disponíveis, buscando concentrar as vendas em configurações mais rentáveis. Ao mesmo tempo, a participação dos modelos dos segmentos D e E deverá crescer aproximadamente 45% no médio prazo. A marca também manterá uma estratégia de três frentes de propulsão, com investimentos em motores a combustão, híbridos plug-in e novas gerações de baterias.
A exclusividade será outro eixo central do plano. A Porsche pretende ampliar significativamente as possibilidades de personalização e elevar em cerca de 20% o preço médio de venda dos modelos de topo no médio prazo. O programa Sonderwunsch, voltado a veículos altamente personalizados, deverá multiplicar suas vendas por seis. A marca também elevará para 67% sua participação na Manthey Racing, ampliando a oferta de produtos e experiências voltadas ao desempenho.
Para sustentar esse posicionamento, a fabricante alemã pretende reduzir custos em diversas áreas. A meta é diminuir em até 20% os custos de desenvolvimento de novos modelos, em até 30% os custos de pessoal na produção e em 20% as despesas de vendas e distribuição. A empresa também pretende reduzir em cerca de 10% os custos de materiais nos novos projetos, além de simplificar sua estrutura e aproveitar mais sinergias com outras empresas do grupo Volkswagen, especialmente a Audi.
O plano também prevê uma redução significativa do quadro de funcionários. Um acordo firmado com representantes dos trabalhadores prevê a redução socialmente responsável de 9.000 postos de trabalho, enquanto o número de cargos de gestão deverá cair 40% no médio prazo. No total, a Porsche projeta uma redução de 25% do quadro em funções diretas e indiretas, podendo chegar a 30% como meta estratégica. Entre as medidas de concentração no negócio principal estão ainda a saída das participações na Rimac e na Bugatti Rimac e o encerramento de atividades da Cellforce Group e da Porsche eBike Performance.
Financeiramente, a Porsche quer reduzir sua dependência do volume de vendas e aumentar o valor gerado por cada veículo. A empresa pretende reduzir seu ponto de equilíbrio para menos de 200 mil unidades e projeta, no médio prazo, receita anual entre 41 bilhões e 45 bilhões de euros, margem operacional de 10% a 15% e margem de fluxo de caixa líquido da divisão automotiva entre 9% e 12%. No longo prazo, a meta é chegar a 15% de margem operacional e 12% de margem de fluxo de caixa. A estratégia indica, assim, uma Porsche com menos foco em quantidade e mais direcionada a modelos exclusivos, tecnológicos e de maior rentabilidade.










