Fixada pelo Copom inalterada em 14,50% ao ano, a manutenção da taxa Selic estabeleceu um patamar de previsibilidade para o mercado de crédito automotivo no Brasil. Longe de paralisar o setor, a estabilização dos juros básicos permitiu que as instituições financeiras calibrassem suas políticas de risco com maior precisão, resultando em uma forte expansão na concessão de financiamentos.
Com a marca de 1,89 milhão de veículos financiados apenas no primeiro trimestre, o setor consolidou o melhor início de ano para o crédito veicular desde o ano de 2008.
Juros previsíveis facilitam cálculo do custo efetivo total nas operações bancárias de longo prazo
Impulsionado por esse ambiente de estabilidade macroeconômica, o volume geral de transações no mercado secundário cresceu. Dados do primeiro trimestre apontam um recorde histórico de 4.378.062 unidades de usados comercializadas no país, representando uma alta expressiva de 12,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Assimilando o custo do dinheiro, o consumidor encontrou termos mais claros na composição do Custo Efetivo Total das operações de crédito, viabilizando o planejamento de parcelas de longo prazo sem o temor de oscilações econômicas abruptas.
“Mesmo com a Selic em um patamar elevado, a estabilidade dos juros ajuda o consumidor a planejar melhor a compra do usado. O comprador consegue comparar entrada, parcela, prazo e Custo Efetivo Total com mais clareza, o que torna a decisão menos impulsiva e mais racional”, explica Junior Videira, analista de conteúdo do portal Comprecar.
Restituição do imposto de renda atua como alavanca de liquidez no segundo trimestre
Conectando a estabilidade dos juros à injeção de liquidez trazida pelos lotes de restituição do Imposto de Renda, que começam a ser pagos no final de maio, o calendário do segundo trimestre atua de forma estratégica. Esse capital extra é utilizado pelos compradores do interior paulista para inflar o valor dado como entrada, diminuindo o saldo devedor principal e mitigando o impacto dos juros reais do financiamento na composição final da dívida.
O reaquecimento do mercado de crédito reflete a maturidade do comprador, que passou a enxergar o veículo seminovo ou usado como uma alternativa financeiramente viável frente aos custos de aquisição elevados das frotas zero-quilômetro, mantendo as esteiras de aprovação bancária em ritmo acelerado nas principais praças econômicas do estado.










