A renovação de frotas ganhou espaço na agenda financeira das empresas em um mercado automotivo aquecido. Em agosto, 683,9 mil veículos foram financiados no Brasil, alta de 10,4% em relação ao mesmo mês de 2025 e o melhor resultado para agosto em 15 anos, segundo a Trillia, unidade de dados e inteligência da B3. No acumulado até agosto, foram 5,14 milhões de unidades financiadas, avanço de 10%.
O movimento também chega ao mercado de consórcios. Para Cleber Gomes, CEO e cofundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros no B2B, a modalidade pode ganhar espaço entre negócios que conseguem antecipar a necessidade de substituição de veículos e programar o desembolso. “A compra de um veículo de trabalho precisa considerar não apenas o valor do bem, mas também o impacto no caixa, o momento da troca e o custo de manter uma frota mais antiga”, afirma.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram comercializadas 995,83 mil cotas para veículos leves, alta de 8,9% em relação ao mesmo período de 2025. O segmento chegou a 5,52 milhões de participantes ativos em junho, também crescimento de 8,9% em 12 meses.
Nos veículos pesados, embora as vendas de cotas tenham recuado 6,9% no semestre, para 92,73 mil, o número de participantes ativos cresceu 3,8%, chegando a 932,58 mil. O valor dos créditos também avançou, o tíquete médio mensal atingiu R$ 273,91 mil em junho, alta de 21,7% em um ano. O movimento acompanha a demanda por créditos maiores para renovação e ampliação de frotas, segundo a ABAC.
Para empresas de transporte, logística, locação e serviços, a troca de veículos envolve mais do que o preço de compra. Manutenção, consumo, produtividade e disponibilidade da frota também entram na conta. Segundo o Anuário ABLA 2026, da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), as locadoras investiram R$ 79,3 bilhões na aquisição de veículos em 2025, alta de 15,3% sobre 2024, elevando a frota do setor a 1,72 milhão de unidades.
“O consórcio pode fazer sentido quando a empresa consegue trabalhar com antecedência e incorporar a renovação ao orçamento. Se existe a necessidade imediata do veículo, outras alternativas podem ser mais adequadas”, explica Gomes.
A modalidade, porém, não é isenta de custos, o contrato pode prever taxa de administração, fundo de reserva e seguro, e a contemplação depende das regras do grupo. Por isso, a análise deve considerar prazo, custo total e impacto sobre o capital de giro. Com veículos representando um investimento relevante para diferentes setores, a renovação de frotas passa a ser também uma decisão de alocação de capital, e não apenas uma questão operacional.










