O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos automóveis leves usados no Brasil, registrou alta de 0,07% em julho, a menor variação mensal desde março de 2025. O resultado representa forte desaceleração em relação aos 0,57% de junho e reforça os sinais de acomodação do mercado de usados após um longo período de valorização.
No acumulado de 2026, o índice sobe 3,56%. Em 12 meses, a alta desacelerou de 6,87% para 6,10%, refletindo um ambiente de demanda mais moderada e preços mais alinhados às condições macroeconômicas.
Para o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o resultado mostra que o mercado começa a responder de forma mais clara ao cenário econômico.
“A inflação dos automóveis usados praticamente estacionou em julho, com alta de apenas 0,07%, a menor variação mensal desde março de 2025. O movimento reflete um ambiente mais desafiador, marcado pela maior concorrência das montadoras chinesas, queda dos preços dos veículos novos, crédito ainda restritivo, desaceleração do mercado de trabalho, aumento da inadimplência e elevado comprometimento da renda das famílias.”
Entre os veículos que mais contribuíram para a alta do índice em julho estão GM Celta (+2,62%), Fiat Palio (+2,20%) e Nissan Kicks (+1,92%). Na outra ponta, VW Fox (-2,01%), Jeep Compass (-1,74%) e GM Onix (-1,11%) exerceram a maior pressão de baixa, indicando que a desaceleração já atinge modelos de diferentes categorias, inclusive os de maior volume de negociação.
Desaceleração por todo o país
Em julho, o Nordeste apresentou a maior retração nos preços (-0,19%). Ao todo, 16 das 27 unidades da Federação registraram queda nos preços dos usados, ante um cenário de alta generalizada observado em junho. Apenas duas regiões registraram alta na comparação mensal: Centro-Oeste (+0,29%) e Sul (+0,22%).
O Piauí (-1,08%) registrou a maior queda do mês, enquanto o Amapá (+0,71%) teve a maior alta. No acumulado de 12 meses, Pará (+4,14%), Mato Grosso (+4,37%) e São Paulo (+4,46%) apresentam os menores avanços, enquanto Minas Gerais (+7,66%), Rio de Janeiro (+7,65%) e Rio Grande do Sul (+6,51%) lideram a valorização.
Segundo o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, os dados mostram que o mercado entra em uma nova fase de ajuste.
“Em julho, 16 estados registraram queda nos preços dos automóveis usados, diferentemente de junho, quando houve alta em todo o país. Modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da valorização, mas veículos de maior volume de negociação, como Onix, Gol, Uno e Kwid, já mostram perda de fôlego. A tendência é que o mercado reflita cada vez mais o cenário econômico, as condições de financiamento e o ajuste dos preços dos veículos novos.”
Elétricos seguem mais depreciados
Os veículos elétricos continuam registrando as maiores perdas de valor no mercado, embora apresentem sinais de estabilização nos últimos meses. Entre os modelos 2023, a desvalorização acumulada chega a 46,15%, frente a 26,85% dos híbridos e 21,40% dos veículos a combustão comparáveis.
O comportamento reflete a maior concorrência entre montadoras, especialmente com o avanço das marcas chinesas, a redução dos preços dos veículos novos e a rápida evolução tecnológica dos modelos eletrificados, fatores que continuam pressionando o valor de revenda dos primeiros elétricos comercializados no país.
Metodologia IBV Auto
O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão – combustão, híbrido ou elétrico
A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.
O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente de 2025. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.
Além disso, o IBV Auto busca medir a evolução das taxas de desvalorização de cestas comparáveis de automóveis híbridos (HEV), elétricos (BEV) e a combustão (ICE) mensalmente. O objetivo principal é permitir a comparação da desvalorização de automóveis com diferentes tipos de propulsão (a combustão, híbridos e elétricos), tomando como base veículos de mesma idade e características gerais comparáveis (preço quando novo, tamanho, categoria, país de origem, entre outros).










