Garantir a segurança nos deslocamentos a pé é uma variável essencial para aumentar a segurança em todo o sistema de trânsito, na avaliação do arquiteto e urbanista espanhol Francesc Ventura i Teixidor. Presidente da Agrupación Barcelona Movilidad, projeto centralizado na Universidade Politécnica de Catalunha voltado ao desenvolvimento de parcerias, pesquisas e ações para a mobilidade na cidade espanhola, ele diz que, ao melhorar a segurança para os pedestres, há estímulo aos deslocamento não motorizado e ao uso do transporte coletivo, além de ampliar a valorização e apropriação do espaço público. 
Segundo o especialista, isso passa por melhorias na sinalização e iluminação noturna. O passo seguinte, diz ele, é reduzir a sensação de insegurança no transporte público, tanto para o usuário do serviço quanto ao próprio sistema, alvo de ameaças criminais e de vandalismo. “Se as pessoas se sentem inseguras, se deslocarão com medo. Ou entre sair e não sair, ou usar transporte ou o privado ou o público, optam por ficar em casa, utilizar o carro, o que implica em não relacionar-se, não conviver”, destaca. O resultado é a diminuição da quantidade de pessoas nas ruas, o que também implica em mais riscos aos que transitam a pé, além do aumento de veículos nas vias, cujo efeito é a maior probabilidade de acidentes. 
Outro desafio, segundo ele, é reduzir os conflitos pelo espaço nas ruas, garantindo que todos possam utiliza-lo de forma equânime e com menos riscos: pedestres, ciclistas, transporte motorizado coletivo e individual. Para isso, ele lembra que todos devem ter consciência de que quem está a pé e de bicicleta tem prioridade, mas todo mundo possui responsabilidades para redução de acidentes. 
Tornar os itinerários a pé mais seguros também demanda uma readaptação dos espaços da cidade, segundo o arquiteto. Ele cita a redução dos limites de velocidade nas ruas, o impedimento de alguns usos – como para estacionamentos – de vias públicas a melhoria dos sistemas de informação e sinalização, calçadas mais largas e com menos desníveis. “Itinerários seguros são uma mistura do desenho urbano com a relação dos indivíduos com o espaço urbano”, complementa Francesc. Para isso, diz ele, também são necessárias vias largas, pavimentos bem conservados e com menos desníveis. Os tempos dos semáforos também precisam ser pensados para pedestres. 
A disposição do mobiliário urbano é outro fator que ajuda a atrair mais pedestres para as ruas, em detrimento do uso dos carros, explica o arquiteto. O ideal é oferecer ao cidadão uma condição para que ele também se sinta responsável e confortável no espaço público. “Incrementando a beleza e a personalidade do espaço transitado faz você identificá-lo como algo seu. Quando você reconhece o espaço como algo seu, é o primeiro a cuidar, e faz você sentir-se melhor. Quanto mais a rua é um lugar de estar e menos de passar, mais humana e segura será”, completa.
Em Barcelona, o Plano de Mobilidade Urbana 2013-2018 tem como objetivo fazer do espaço público um lugar confortável e tranquilo para a mobilidade coletiva e compartilhada, protegendo especialmente os usuários mais frágeis e minimizando os riscos de sua complexa coexistência. Além disso, há o Plano Local de Segurança 2013-2018, que estabelece a meta de reduzir 30% das mortes e 20% dos feridos graves no trânsito até 2020.
O arquiteto espanhol Francesc Ventura i Teixidor foi um dos palestrantes do III Seminário Internacional de Mobilidade e Transportes, realizado pela UnB (Universidade de Brasília) na Câmara dos Deputados. O evento começou no dia 13 e termina no dia 16 de outubro.
Fonte: Agência CNT de Notícias
Artigos Relacionados
Leia mais em Notícias
Comentários estão fechados

Veja também

Suzuki Jimny vem com novidades na linha 2022

Disponível em quatro versões, SUV traz atualizações estéticas e mantém o mesmo DNA 4×…