O mês de agosto foi marcado pelo forte aumento na importação de pneus. Comparando os dados de agosto contra janeiro deste ano, a alta é de 72% nas importações. Entre as consequências deste fenômeno está a destinação ambiental, cuja fiscalização por parte do governo ainda é ineficaz e a logística reversa dos importados gera passivo ambiental para a sociedade. 
Além deste fator, as empresas instaladas no Brasil sofrem erosão na competitividade, afetadas pelo diferencial de custos dos insumos de produção locais (matéria prima, impostos de importação, mão de obra, energia elétrica, etc.). Enquanto a importação cresce, o setor nacional registra queda de 2,1% na produção de pneus em relação à 2015 com o volume de vendas acompanhando essa tendência e registrando queda de 2% no mesmo período.
 
A variação cambial é o fator que interfere diretamente nesta equação. O Real sofreu valorização da ordem de 25% desde janeiro deste ano até agora, saindo de um pico de R$ 4,16 para R$ 3,14 no mês de julho. Na avaliação da ANIP, se a tendência de queda do câmbio prevalecer e chegar a patamares como os registrados no primeiro semestre de 2014, o volume de importações tende a aumentar substancialmente. “O que, por um lado, pode demonstrar a recuperação econômica do País, com o fortalecimento de nossa moeda, por outro pode contribuir para o aumento do passivo gerado pelo não cumprimento das metas de destinação de pneus inservíveis por tradings e distribuidores independentes de pneus importados, determinando um acirramento da concorrência desleal”, explica o presidente executivo da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneus), Alberto Mayer.
Os pneus importados para veículos de passeio registravam, em janeiro de 2016, mais de 630 mil unidades e alcançaram 986 mil itens em agosto, aumento de 54,7%. Quando analisada a série de pneus para veículos de carga o índice é ainda maior: cerca de 35 mil unidades em janeiro contra 99 mil em agosto de 2016, alta de 182%.  “Estes pneus são destinados ao mercado de reposição e tiram espaço das empresas que produzem no país, aumentando a ociosidade da indústria nacional”, destaca Mayer.
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