A Renault rvelou oficialmente nesta quarta-feira (10) uma nova investida a Niagara, picape desenvolvida especificamente para o mercado latino-americano e que combina características tradicionalmente associadas aos utilitários com uma proposta mais próxima à dos SUVs. O modelo será produzido na Argentina e terá Brasil, Argentina e Colômbia entre seus principais mercados. A Niagara também inaugura uma nova fase da estratégia internacional da marca, que prevê o lançamento de 14 novos modelos fora da Europa até 2030.
Com 4,94 metros de comprimento na versão 4×4, 1,72 metro de altura e rodas de 17 ou 18 polegadas, a Niagara aposta em visual robusto, mas procura fugir da imagem de picape exclusivamente voltada ao trabalho. A dianteira traz grade verticalizada, capô elevado, faróis full LED e elementos inspirados no universo off-road. Na lateral, as caixas de rodas pronunciadas e a integração entre cabine e caçamba dão ao modelo uma aparência mais próxima dos SUVs. Na versão 4×2, o comprimento é de 4,91 metros.
Por dentro, a proposta é ainda mais clara. A cabine foi concebida para oferecer uma experiência semelhante à de um SUV médio, com painel digital de 10,2 polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas. O sistema OpenR Link traz Google integrado, com Maps, Assistente, aplicativos da Play Store, Android Auto e Apple CarPlay, inclusive com conexão sem fio. Um dos destaques é a incorporação do Google Gemini, sistema de inteligência artificial generativa que permite interações mais naturais por comandos de voz. Dependendo da versão, há ainda bancos dianteiros com ajustes elétricos e iluminação ambiente com até 48 cores.

O espaço interno também recebeu atenção. Segundo a Renault, o vão para os joelhos dos ocupantes traseiros chega a 200 milímetros, enquanto o banco traseiro pode ser reclinado em 25 graus. Há ainda um compartimento de 36 litros localizado atrás da segunda fileira, acessível pela cabine com o banco rebatido. A ideia é oferecer um espaço adicional para objetos que não precisam ser transportados na caçamba. A lista de recursos inclui também carregador de celular por indução e câmbio eletrônico, que libera espaço no console central.
Na mecânica, a Niagara utilizará o motor 1.3 turbo de quatro cilindros com injeção direta, oferecido com gasolina ou tecnologia flex conforme o mercado. A configuração a gasolina entrega 156 cv, enquanto a versão flex chega a 160 cv, sempre com torque máximo de 270 Nm. O conjunto poderá ser associado a câmbio manual de seis marchas ou automático de dupla embreagem úmida, também com seis velocidades. A Renault diz ter buscado uma calibração que privilegia uma condução mais próxima à de um SUV, sem abrir mão das características esperadas de uma picape.
Uma das particularidades do projeto está na suspensão traseira multilink. A configuração foi desenvolvida especificamente para a Niagara e recebeu molas, amortecedores e geometria próprios. Segundo a fabricante, o ajuste reduz em 30% a frequência natural dos movimentos da carroceria, com reflexos no conforto e na estabilidade, especialmente em pisos irregulares. O sistema de frenagem utiliza quatro discos ventilados, enquanto o conjunto eletrônico inclui recursos destinados a manter a eficiência durante descidas prolongadas e uso mais severo.

A vocação para o trabalho, porém, não foi deixada de lado. A caçamba tem capacidade para 938 litros e suporta até 654 kg de carga. A tampa traseira possui acionamento elétrico e há oito ganchos de ancoragem para fixação de objetos. Uma tomada de 12 volts permite conectar equipamentos e ferramentas, enquanto a cobertura retrátil ajuda a proteger a carga contra poeira e chuva. A capacidade de reboque chega a 710 kg, número que a Renault aponta como um dos diferenciais do modelo no segmento.
Nas versões com tração integral, a Niagara utiliza um sistema capaz de distribuir automaticamente o torque entre os eixos de acordo com as condições de aderência. O motorista pode selecionar diferentes modos de condução, incluindo Eco, Comfort, Sport, Smart e Terrain. Em condições normais, a tração é concentrada no eixo dianteiro, com transferência de torque para o traseiro quando necessário. Para enfrentar terrenos mais difíceis, a picape tem 233 milímetros de distância do solo na configuração 4×4. Na versão 4×2, são 223 milímetros.

O pacote de segurança também é abrangente. Entre os equipamentos estão controle de velocidade adaptativo com Stop & Go, frenagem automática de emergência, alerta e assistente de permanência em faixa, reconhecimento de placas, monitoramento de ponto cego e detector de fadiga. Para manobras, o modelo pode contar com câmera de ré, sensores dianteiros e traseiros, assistente de estacionamento e câmera com visão 360 graus. Há ainda alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem automática em marcha a ré e alerta de saída segura dos ocupantes.

O projeto da Niagara foi conduzido integralmente na América Latina. O design foi desenvolvido no centro da Renault no Brasil, enquanto a engenharia envolveu equipes brasileiras e argentinas. A produção ficará concentrada na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina. Antes da chegada ao mercado, os protótipos passaram por mais de 800 mil quilômetros de testes em diferentes condições de uso, incluindo asfalto, estradas ruins e trechos off-road em Argentina, Brasil e Colômbia, além de avaliações nos centros da Renault na Europa.
A Niagara representa, portanto, mais do que a entrada da Renault em uma nova faixa do mercado de picapes. O modelo faz parte de uma estratégia maior para aumentar a presença da marca fora da Europa e, ao mesmo tempo, avançar na eletrificação. A plataforma RGMP utilizada pela picape foi concebida também para receber futuramente uma motorização híbrida. A Renault pretende que, até 2030, metade de suas vendas seja realizada fora da Europa e que os modelos eletrificados representem 50% de seu portfólio internacional.










