Horas seguidas ao volante, deslocamentos constantes e a dificuldade de acessar os serviços de saúde continuam afastando milhares de motoristas profissionais do acompanhamento médico regular. Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que 41% dos caminhoneiros cadastrados na Atenção Primária à Saúde (APS) não receberam atendimento entre 2022 e 2025, evidenciando uma lacuna histórica na assistência a uma categoria que permanece grande parte do tempo nas rodovias.
Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde criou o programa Agora Tem Especialistas – Caminhoneira e Caminhoneiro, que leva atendimento gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS) diretamente aos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) utilizados pelos profissionais durante as viagens.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, a iniciativa facilita o acesso à saúde ao oferecer consultas, exames e ações preventivas nos locais onde os motoristas já realizam suas paradas.
“A saúde quase sempre acaba ficando para depois quando o motorista está cumprindo prazos e cruzando o país. Por isso, levar o atendimento aos PPDs é uma medida inteligente. Ela adapta o serviço público à realidade da categoria e facilita o acompanhamento de muitos profissionais que, até então, não conseguiam acessar esse tipo de atendimento. É um avanço importante para quem passa grande parte da vida nas rodovias”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.
O boletim também aponta que a rotina da profissão favorece o desenvolvimento de doenças crônicas. Longas jornadas ao volante, alimentação irregular, dificuldade para cumprir os períodos de descanso e acesso limitado aos serviços de saúde aumentam a vulnerabilidade dos motoristas ao adoecimento.
Entre os atendimentos realizados pela Atenção Primária entre 2022 e 2025, a hipertensão arterial lidera os registros, com 74.414 casos, seguida pelo diabetes, com 35.292, e pelos atendimentos relacionados à saúde mental, que somaram 21.167 ocorrências. O levantamento também mostra o envelhecimento da categoria, com maior concentração de atendimentos entre profissionais de 50 a 59 anos, seguidos pela faixa de 40 a 49 anos.
As unidades móveis oferecem consultas médicas e de enfermagem, vacinação, aferição da pressão arterial, testes rápidos, exames laboratoriais com resultado imediato, eletrocardiograma, pequenos procedimentos e encaminhamento para outros serviços do SUS quando necessário.
Em pouco mais de quatro meses de funcionamento, o programa contabilizou 6.169 atendimentos, 8.889 procedimentos, 7.087 testes rápidos, 2.617 exames e 933 doses de vacinas aplicadas, números que reforçam a demanda por assistência médica entre profissionais que vivem nas estradas.
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a proposta acompanha a realidade da profissão e facilita o acesso à prevenção. “O caminhoneiro já utiliza os pontos de parada para descansar durante as viagens. Transformar esses locais também em espaços de atendimento é uma solução prática, que amplia o acesso ao SUS e incentiva o cuidado preventivo. É uma iniciativa que pode trazer benefícios tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para a segurança nas rodovias.”
O atendimento é gratuito e não exige agendamento prévio. Atualmente, as unidades móveis estão instaladas em Pindamonhangaba (SP), Uruaçu (GO), Ubaporanga (MG), Itatiaia (RJ), Novo Progresso (PA), Seropédica (RJ), Palhoça (SC) e Irati (PR), em pontos estratégicos próximos aos locais de parada utilizados pelos caminhoneiros.










